3 de maio de 2013

Armazenagem em debate na Agrishow

A armazenagem da produção de grãos nacional definitivamente faz parte dos debates agrícolas do momento. Na 20ª AGRISHOW (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), após o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, afirmar que o Governo vai anunciarem em breve um Plano Nacional de Armazenamento, o assunto entrou de vez nos holofotes. Nesta quarta, no estande do Canal Rural, representantes de instituições governamentais, como o Banco do Brasil e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) uniram-se às fabricantes KeplerWeber e GSI para discutir os caminhos do segmento e apontar quais os principais problemas a serem corrigidos. Estima-se que as perdas no transporte cheguem a 5%. Soma-se a isso o déficit de 10% de armazenagem. Tal desperdício, em u ma safra de 185 milhões de toneladas, como foi a atual, é o mesmo que 930 mil carretas de 30 toneladas. Alinhadas, elas vão de Campinas a São Paulo, ilustrou o engenheiro agrônomo e consultor em armazenagem do Canal Rural, Armando Portas. O superintendente de armazenagem da Conab, Rafael Bueno, explicou que o problema de armazenagem no País intensificou-se a partir de 2002, quando a produtividade nacional sofreu um salto gigantesco, que o avanço anual de 3,5% na construção de armazéns não conseguiu acompanhar. Além disso, a armazenagem ainda se concentra nas áreas tradicionais de cultivo de grãos, como a região Sul (43%) e o Centro-Oeste (33%). As novas fronteiras agrícolas ainda estão carentes de receber a quantidade de armazéns suficiente, pontuou Bueno. Outra mudança, capaz de reduzir as perdas de produção, de dinheiro e de danos ao meio ambiente é aproximar cada vez mais os armazéns das propriedades produtoras. Hoje, por paradoxal que pareça, a maior parte dos armazéns (41,6%) situa-se em zonas urbanas. É preciso que haja agilidade na recepção. Como a lógica da safra força todo mundo a produzir e colher ao mesmo tempo, há sobrecarga no frete. Consequentemente, o preço sobe, bem como o movimento nas estradas, que em alguns trechos ficam intransitáveis de tanto caminhão, explicou o superintendente-comercial da fabricante KeplerWeber, Tadeu Vino. Ele afirmou que, hoje, uma propriedade relativamente pequena, de 200 hectares, já é capaz de arcar com os custos de um armazém. Outro gargalo de infraestrutura foi lembrado pelo diretor de vendas e marketing de armazenagem de grãos da GSI, José Luiz Viscardi Júnior. Os portos brasileiros são arcaicos. É preciso que o governo intensifique as reformas, para que não ocorra perda no instante em que os grãos são exportados. O vice-presidente de agronegócio do Banco do Brasil, Osmar Dias, afirmou que o Governo Federal está preocupado e trabalhando para que as perdas causadas por deficiência no armazenamento de grãos sejam reduzidas. No Plano de Safra, a ser divulgado dentro de alguns dias, a armazenagem será contemplada com uma linha própria de financiamentos. Não posso revelar detalhes, mas os juros ficarão dentro do que já é aplicado no mercado, entre 3% e 5,5%, mas o prazo de pagamento e a carência serão maiores. (Agrolink com informações de assessoria)

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