4 de abril de 2016

Capacidade de armazenagem de grãos continua insuficiente no Brasil

Em torno de 17,7 mil armazéns estão cadastrados na Conab, com capacidade de armazenagem de 152 milhões de toneladas de grãos. Número é insuficiente para uma safra estimada em 210,3 milhões no ciclo agrícola 2015 /16, ou seja, um déficit 58,5 milhões de toneladas. 

Um total de 17.707 armazéns cadastrados, junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com capacidade de armazenagem de 152 milhões de toneladas de grãos, continua insuficiente para uma safra estimada em 210,3 milhões para o ciclo agrícola 2015 /16, ou seja, um déficit 58,5 milhões de toneladas.

O número preocupa até porque, segundo a Pesquisa de Estoques referente ao primeiro semestre de 2015, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve uma redução no número de estabelecimentos ativos  de 7.927 nos seis últimos meses de 2014 para 7.858 no período seguinte (queda de 0,9%). O resultado do segundo semestre, de acordo com calendário do órgão, só será divulgado no próximo mês de junho.

“Vale ressaltar que, devido à alta rotatividade dos grãos, o déficit apresentado, muitas vezes, não chega a impactar na comercialização, pois a capacidade dinâmica é aumentada”, explica a Conab em nota enviada por e-mail, à equipe SNA/RJ.

Na opinião do vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura Hélio Sirimarco, “a armazenagem é um fator primordial para o sucesso e a garantia da competitividade dos produtores rurais”. “Hoje, o que se vê é um descompasso entre o setor de armazenagem e a força de produção do agro, e isto acaba por afetar a logística do transporte de grãos, provocando obstruções nas vias de escoamento, até mesmo nas áreas destinadas ao recebimento de mercadorias para estocagem”.

Para o vice-presidente da SNA Hélio Sirimarco, ?a armazenagem é um fator primordial para o sucesso e a garantia da competitividade dos produtores?. Foto: Arquivo SNA 

Para o vice-presidente da SNA Hélio Sirimarco, “a armazenagem é um fator primordial para o sucesso e a garantia da competitividade dos produtores”.

CENSO DOS ARMAZÉNS

Embora o objetivo principal não seja elevar a capacidade de armazenagem, a Conab realizará, até novembro deste ano, o Censo dos Armazéns. “A intenção é fazer uma atualização de cadastro, que é pré-requisito para os armazéns que desejam participar do Processo de Certificação de Unidades Armazenadoras”, destaca a estatal.

Conforme o órgão, mais de 5,3 mil armazéns de 767 municípios estão respondendo a questões como capacidade estática, recepção e expedição de produtos, sistema de pesagem, amostragem e segurança, entre outros quesitos.

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o levantamento é uma prioridade da ministra Kátia Abreu, pois estes dados são importantes para avaliar a necessidade do setor de armazenagem.

Ainda de acordo com o Mapa, o censo atende à legislação e responderá a pedidos de cadastro do setor privado, que está interessado em prestar serviços ao governo federal.

EQUIPE TÉCNICA

À SNA/RJ, a Conab explica que o cadastramento é solicitado pela internet, no site www.conab.gov.br. “A equipe vai a campo para aferir a veracidade das informações e concluir o cadastramento. Ao todo, 137 técnicos da Companhia estão envolvidos no processo”, informa a estatal, em nota. A previsão de gastos com o Censo é de aproximadamente R$ 1 milhão.

A equipe começou a trabalhar em fevereiro no Estado de Rio Grande do Sul, com a visita a 275 armazéns. Em março, foram visitadas unidades rurais em Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Santa Catarina e São Paulo, que somam cerca de 4 mil equipamentos. Em abril, será a vez de Goiás e Bahia. O encerramento será em novembro, em Santa Catarina. Nos demais Estados, as visitas serão realizadas entre abril e junho.

?Hoje, existe o PCA (Plano de Construção de Armazenagem), com crédito subsidiado para armazenagem; e o Moderinfra, que pode ser usado para instalação de novos armazéns?, salienta Marcelo Cabral, diretor do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento para o Setor Agropecuário do Mapa. Foto: Divulgação“Hoje, existe o PCA (Plano de Construção de Armazenagem), com crédito subsidiado para armazenagem; e o Moderinfra, que pode ser usado para instalação de novos armazéns”, salienta Marcelo Cabral, diretor do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento para o Setor Agropecuário do Mapa.

PROGRAMAS DO GOVERNO

O Ministério da Agricultura admite o déficit da capacidade de armazenagem no País, mas segundo Marcelo Cabral, diretor do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento para o Setor Agropecuário do Mapa, já funcionam programas de políticas públicas do governo que visam ao atendimento deste setor.

“Hoje, existe o PCA (Plano de Construção de Armazenagem), com crédito subsidiado para armazenagem; e o  Moderinfra, que pode ser usado para instalação de novos armazéns”, salienta.

Ele acredita na necessidade de haver parcerias público-privadas para solucionar o problema do déficit de armazéns no Brasil, “por meio do incentivo do crédito para as regiões com maior déficit de capacidade estática”.

Para conhecer o programa PCA, acesse  ow.ly/108Q3E (link encurtado); para o Moderinfra, ow.ly/108QkC (link encurtado).

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