17 de outubro de 2014

Contaminação dos grãos por agrotóxicos é discutida na Conferência Brasileira de Pós-Colheita

A preocupação com a segurança alimentar e a contaminação dos grãos por agrotóxicos no Brasil foi o tema de um painel apresentado na A VI Conferência Brasileira de Pós-colheita (VICBP2014) e no VIII Simpósio Paranaense de Pós-colheita de Grãos, nesse dia 15 de outubro, promovidos pela Associação Brasileira de Pós-colheita (ABRAPOS) e pela cooperativa COCAMAR, no Centro de Eventos Excellence, em Maringá (PR).

A ação dos resíduos de pesticidas em grãos e sua influência na saúde humana foi apresentada pela palestra da professora Lêda Faroni, da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Em 2008, a Agência Nacional Vigilância Sanitária (Anvisa), adaptou a legislação internacional (Codex Alimentarius) para analisar a situação brasileira de contaminação de grãos. Em 2008, tiveram início as análises de resíduos de pesticidas em arroz e feijão, e em 2012, foram feitas as primeiras análises em milho. “Os resultados das duas primeiras culturas analisadas mostram que os limites permitidos de contaminação estão acima dos índices determinados pela legislação”, afirma Lêda.

A professora tem estudos sobre o mecanismo de ação desses agrotóxicos no ser humano. “Esses produtos agem no sistema nervoso central e como consequência, o efeito dos agrotóxicos no organismo humano pode provocar tremores, excitabilidade e até mesmo uma parada respiratória”, afirma Lêda.

Por isso, a professora defende a utilização de tecnologias que possam degradar esses resíduos de pesticidas. Um exemplo vem da Europa, que utiliza ozônio ao invés de cloro no tratamento da água. “O ozônio é superior ao cloro porque não deixa efeito residual na água. Além disso, o produto é um excelente biocida, porque atua tanto no controle de microorganismos como em insetos”, explica.

A professora diz que já é possível gerar ozônio em laboratório e que já são comercializados no Brasil equipamentos que fornecem ozônio para tratamento de água. “A água ozonizada pode eliminar os resíduos de pesticidas e como o ozônio é um biocida, você tem um ganho de vida útil desses produtos porque ficarão descontaminados”, defende. A ideia é que o usuário final adquira os produtos já detoxificados pela indústria.

Enquanto na Europa a água já chega para o consumidor sem a presença de cloro, nos Estados Unidos o ozônio é utilizado para controle de pragas nas unidades armazenadoras, em forma de gás. “No Brasil, algumas empresas vem ofertando água mineral tratada com ozônio, mas ainda faltam geradores de grande capacidade para o tratamento de grãos armazenados”, avalia. Além dos efeitos à saúde humana, o Brasil já enfretou embargo econômico da China, que devolveu lotes de soja que estavam com índices de contaminação de agrotóxicos, acima dos permitidos pela legislação mundial.

A Conferência tem a cooperação de várias instituições do setor de pós-colheita brasileiro, sendo a maioria cooperativas – C.Vale, Coamo, Agrária, Cotriguaçu, Castrolanda, Integrada, Cocari, Batavo, Comigo, Cooperalfa, Coopavel, Copacol e Lar – Caramuru Alimentos, Fiagril, UFV, UFSC, Codapar, Ceagesp, Feagri-Unicamp, Conab, Embrapa; CNPq, Capes, Abcao, Sistema Ocepar-Sescoop e OCB.

Mais informações: http://www.abrapos.org.br/eventos/cbp2014/

Programação
16/10/2014 – Quinta-Feira
08:00 – 08:15
Painel: Sistemas de aeração na armazenagem
Moderador: Lêda Rita D´Antonino Faroni,professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV),Viçosa, MG
08:15 – 09:15
Grain Aeration System, an approach on global new technologies (Aeração de Grãos – novas tecnologias).
Palestrante: Digvir S. Jayas, Professor da Universidade de Manitoba, Winnipeg, Canada.
09:15 – 09:45
Sistemas modernos de aeração de grãos para o Brasil
Palestrante: Paulo Cesar Corrêa, professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV, Viçosa, MG
09:45 – 10:15
Coffee-break e visitação aos estandes de expositores
10:15 – 10:30
Painel: Micotoxinas em grãos
Moderador: Vildes Maria Scussel, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC
10:30 – 11:15
Mycotoxins – European Market Demands (Micotoxinas – Demandas do mercado Europeu)
Palestrante: Monica Olsen, Risk Benefit Assessment Department, National Food Agency, Instituto de Pesquisa de Upsala, Suécia
11:15 – 12:00
Micotoxinas: exigências do mercado brasileiro
Palestrante: Myrna Sabino, Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, SP
14:00 – 14:15
Painel: Secagem de grãos
Moderador: João Domingos Biagi, Feagri-Unicamp, Campinas, SP
14:15 – 15:00
Fontes de energia para secagem de grãos
Palestrante: Cícero Jaime Bley Junior, Superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Foz do Iguaçu, PR
15:00 – 15:45
Automação e custos na secagem de grãos
Palestrante: Alcemir Chiodelli,Gerente Operacional da C.Vale Cooperativa Agroindustrial, Palotina, PR
15:45 – 16:15
Coffee-break e visitação aos estandes de expositores
16:15 – 17:00
A secagem de grãos e os hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs)
Palestrante: Vildes Maria Scussel, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC
17:00 – 17:50
Segurança no trabalho nas Unidades Armazenadoras de Grãos: NR33 espaço confinado e NR10 instalações elétricas
Palestrante: Nilo Fabre Junior, engenheiro de segurança da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, Maringá, PR

Lebna Landgraf (MTb 2903 (PR))
Embrapa Soja
soja.imprensa@embrapa.br
Telefone: (43) 33716061

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

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